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Medição de temperatura dos passageiros começa a ser testada pelo Metrô

Sistema automático de aferição de temperatura corporal está sendo avaliado na estação Sé pelo governo do estado.

O chamamento público do Metrô de São Paulo para avaliar um sistema de medição de temperatura corporal e uso de máscaras já está dando resultados. A companhia realizou testes com um equipamento desse tipo na quinta-feira, 2, na estação Sé. Segundo o Metrô, o sistema, da empresa Setec, é capaz de medir a temperatura e checar o uso de máscaras de 2 mil pessoas por minuto.

A câmera Termográfica é o equipamento posicionados em frente a um dos bloqueios da estação, a mais movimentada do Metrô. Vídeos divulgados pela companhia mostram o sistema em funcionamento, mas em nenhum deles foi constatado algum passageiro febril. De acordo com a empresa, quando uma pessoa com temperatura acima de 37,5ºC passa pela catraca o sistema emite um alerta para o funcionário do Metrô, que então o encaminhará para um posto de saúde. Já no caso de não uso da máscara de proteção, a orientação para que ele seja orientado a respeito da obrigatoriedade do uso.

A intenção é disponibilizar o sistema em mais estações da rede metroviária como mais uma forma de prevenção do coronavírus. Além dessa ação, o Metrô tem oferecido cabines de desinfecção, sistemas de descontaminação dos trens e uma limpeza mais constante de áreas onde os usuários tocam as mãos.

No entanto, a gravação e identificação de pessoas por esses sistemas é algo extremamente polêmico. Embora seja diferente de outro sistema estudado pelo Metrô, que pretende identificar pessoas que circulam nas estações, o equipamento de medição de temperatura também registra rostos dos usuários, como é possível ver na tela de controle. A companhia ainda não esclareceu como essas informações serão manuseadas ou se haverá algum tipo de armazenamento. Também é preciso entender até que ponto esses sistemas são preparados para evitar invasões.

Segurança de dados

Os projetos do Metrô de implantar sistemas de reconhecimento facial já motivam a ações na Justiça para garantir a segurança dos dados dos usuários. O IDEC (Institubo Brasileiro de Defesa do Consumidor), por exemplo, entrou com um ação judicial em fevereiro em conjunto com as defensorias públicas do estado e da União além de outras organizações para pedir esclarecimentos da companhia.

O instituto cita como exemplo o sistema utilizado pela polícia metropolitana de Londres, que teria uma imprecisão de 81%, segundo estudos da Universidade de Essex. “A ineficácia da tecnologia, agressiva e invasiva por natureza, além de produzir ações discriminatórias contra os passageiros, pode piorar a já precarizada experiência do usuário de transporte público, que pode ter seu longo e cansativo trajeto diário interrompido em virtude de ‘falsos positivos’. Sem informações precisas, também é questionável a prioridade de se gastar milhões em um monitoramento falho em vez de investir na necessária melhoria e expansão do sistema de transportes sobre trilhos“, afirmou texto divulgado pelo IDEC em junho.

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